Cruz e Souza
Como foi discutido na sala de aula o Simbolismo chegou ao Brasil em 1893,
com a publicação das obras Missal (prosa) e Broquéis (poesia),
ambos de autoria de Cruz e Sousa, e se estende até 1922, quando se realizou a
Semana da Arte Moderna.
João da Cruz e Sousa é
considerado o maior autor simbolista, foi apelidado de Dante Negro e Cisne
Negro, pois era filho dos negros alforriados Guilherme da Cruz, mestre-pedreiro, e Carolina Eva
da Conceição, sendo que mesmo sendo a metade da população brasileira não-branca,
poucos foram os escritores negros, mulatos ou indígenas. O poeta Cruz e Sousa
não conseguiu escapar das acusações de indiferença pela causa abolicionista. A
acusação, porém, não procede, pois, apesar de a poesia social não fazer parte
do projeto poético do Simbolismo nem de seu projeto particular, o autor, em
alguns poemas, retratou metaforicamente a condição do escravo.
Principais características:
- No plano temático: a morte, a transcendência espiritual, a integração cósmica, o mistério, o sagrado, o conflito entre matéria e espírito, a angústia e a sublimação sexual, a escravidão e uma verdadeira obsessão por brilhos e pela cor branca;
- No plano formal: as sinestesias, as imagens surpreendentes, a sonoridade das palavras, a predominância de substantivos e o emprego de maiúsculas, utilizadas com a finalidade de dar um valor absoluto a certos termos
Seus poemas
são marcados pela musicalidade (uso constante de aliterações),
pelo individualismo, pelo sensualismo,
às vezes pelo desespero, às vezes pelo apaziguamento, além de uma obsessão pela
cor branca.[1]
É certo que encontram-se inúmeras referências à cor branca, assim como à transparência,
à translucidez, à nebulosidade
e aos brilhos,
e a muitas outras cores, todas sempre presentes em seus versos. Percebe-se em suas
obras influências do simbolismo europeu, como satanismo
de Baudelaire
ao espiritualismo.
Além de Cruz
e Sousa, destacam-se no Simbolismo Alphonsus de Guimaraens e Pedro Kilkerry.
Alphonsus Guimaraens
Alphonsus Guimaraens,
pseudônimo de Afonso Henrique da Costa
Guimarães (Ouro Preto, 24 de julho
de 1870
— Mariana, 15 de julho
de 1921)
foi um escritor
brasileiro.
Sua poesia é marcadamente mística e envolvida com religiosidade católica.
Seus sonetos
apresentam uma estrutura clássica, e são profundamente religiosos e sensíveis
na medida em que explora o sentido da morte, do amor impossível, da solidão
e da inadequação ao mundo.
Contudo, o
tom místico imprime em sua obra um sentimento de aceitação e resignação diante
da própria vida, dos sofrimentos e dores. Outra característica marcante de sua
obra é a utilização da espiritualidade em relação à figura feminina,
que é considerada um anjo,
ou um ser celestial. Alphonsus de Guimaraens é simultaneamente neo-romântico
e simbolista.
Sua obra,
predominantemente poética, consagrou-o como um dos principais autores
simbolistas do Brasil. Em referência à cidade em que passou parte de sua vida,
é também chamado de "o solitário de Mariana", a sua "torre de
marfim do Simbolismo".
Sua poesia é
quase toda voltada para o tema da Morte da Mulher amada.
Embora preferisse o verso decassílabo, chegou a explorar outras métricas,
particularmente a redondilha maior (terminado em sete sílabas métricas).
Principais
obras:
- Setenário das dores de Nossa Senhora (1899)
- Dona Mística (1899)
- Kyriale (1902)
- Pastoral aos crentes do amor e da morte (1923), entre outros.
- Setenário das dores de Nossa Senhora (1899)
- Dona Mística (1899)
- Kyriale (1902)
- Pastoral aos crentes do amor e da morte (1923), entre outros.
Pedro Kilkerry
Pedro Kilkerry foi um poeta simbolista
brasileiro,
descendente de inglêses por parte do pai, o engenheiro John Kilkerry,
superintendente da Bahia Gás Company Limited, e da mestiça alforriada
baiana Salustiana do Sacramento Lima.Portador de tuberculose pulmonar, faleceu durante uma traqueotomia,
sem ter publicado nenhum livro, apesar de ter contribuído para alguns
periódicos como Nova Cruzada e Os Anais. Seus poemas foram recolhidos em 1970 por Augusto de
Campos, que o considera um dos precursores de nossa modernidade. Também
é chamado de “o Gregório de Matos” daquele período da vida baiana.
As principais características da poesia de Kilkery são: uma sintaxe
bastante elaborada, fantasias humorísticas, musicalidade, ou seja, ele
representou outro lado do simbolismo, aquele mais radical, suas poesias eram
difíceis e dependiam de concentração para serem entendidas. As obras de Kilkery
foram colocadas como críticas da vanguarda.
Referências
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