terça-feira, 30 de abril de 2013

O SIMBOLISMO NO BRASIL


O Simbolismo chegou ao Brasil em 1893, com a publicação das obras Missal (prosa) e Broquéis (poesia), ambos de autoria de Cruz e Sousa, e se estende até 1922, quando se realizou a Semana da Arte Moderna.
O Brasil foi um dos poucos lugares em que o Simbolismo não triunfou, permanecendo sempre abafado, marginalizado pelo reinante estilo parnasiano. No entanto, a poesia simbolista produziu no Brasil uma quantidade e uma variedade muito grande de poetas, salvos do esquecimento pela gigantesca obra Panorama do Movimento Simbolista Brasileiro (1952), de Andrade Muricy. O escritor e intelectual Medeiros e Albuquerque (1867-1934) é reconhecido como o introdutor no Brasil das obras dos simbolistas franceses. Em 1887 manda buscar na França, por um "amigo mallarmista", obras de Verlaine e Mallarmé, entre outros. Logo, diversos poetas por todo o Brasil estariam, ainda que sem o prestígio da poesia parnasiana, dedicando-se a seguir a nova poesia antirrealista.
Referências:

domingo, 7 de abril de 2013

O SIMBOLIMO



O texto de Anna Balakian é de extrema importância para compreendermos o movimento simbolista, sendo que ela salienta que o termo “simbolismo” tornou-se um rótulo para designar o pós-romantismo, e que todos os escritores vão construir através da matéria-prima: a palavra. É importante destacar que esses escritores viam a palavra como uma espécie de deusa (religião), a qual eles deviam obediência. O Simbolismo priorizava a sinestesia, fazendo analogias de sentido. Nesse movimento há uma sobreposição de vários sentidos misteriosos e escondidos atrás das aparências. Baudelaire é uma das fontes do Simbolismo, dentro das suas principais características destaca-se sua diversidade, sua real ausência de traço saliente, a reversibilidade e multiplicidade de caráter.
A relação que se estabelece entre o Simbolismo e a música, é que música clássica é imprecisa, sua melodia significa para cada um algo diferente, e a poesia simbolista é vaga, imprecisa e as próprias palavras que vão produzir sua melodia, a musicalidade emerge do próprio texto, e sua melodia também pode ser entendida por cada um de modo diferente.
É importante destacarmos que o “espírito decadente” no Simbolismo caracteriza o estado interior do poeta, e esse estado se exterioriza em sua poesia através da ruína do mundo, demonstrando o descompasso entre o poeta e a realidade que o cerca.
Todas essas características abordadas por Balakian vêm enriquecer nossos conhecimentos e promover uma interação com esse mundo fantástico da literatura.

Filme: Abril Despedaçado



O filme: Abril Despedaçado é muito bom, pois nele é possível verificar várias características do Movimento Simbolista, e instiga profundas reflexões, por exemplo, as discussões sociais levantadas, como a situação de violência em que se encontram os personagens, vivendo sobre a imposição da tradição, deixando de curtir os prazeres da vida.
Os personagens vivem no meio do sertão, suas casas são sujas e barrentas, suas roupas encardidas. Eles não sentem alegria, eles não sorriem, vivem na mesmice de ações e comportamentos repetitivos, repetem gestos, palavras, ações, e nada avança, pelo contrário, o que ocorre é a regressão, ou seja, a vida estancou, parou, como o “Menino Pacu” disse no filme: “A gente parece boi, roda, roda, roda e não sai do canto”.
As personagens agem de acordo com a tradição, sua ações são voltadas para a perpetuação, a prisão, a possibilidade negada de desvio, há vários momentos no filme que podemos observar comportamentos explicados pela tradição, como nas seguintes passagem: a tarja preta no braço do Tonho significa que ele está marcado para morrer; quando sangue exposto na camisa ficar vermelho de novo é tempo de matar; o pai impositivo que obriga o filho a matar outro em nome da honra da família; e etc.
È perceptível também o rompimento com essa tradição, por exemplo: quando no final do filme, o Tonho escolhe o caminho oposto ao que ele sempre fazia, ele está apontando para a mudança, rompendo com a mesmice de cada dia.

sábado, 6 de abril de 2013

Autores Simbolistas



Cruz e Souza
Como foi discutido na sala de aula o Simbolismo chegou ao Brasil em 1893, com a publicação das obras Missal (prosa) e Broquéis (poesia), ambos de autoria de Cruz e Sousa, e se estende até 1922, quando se realizou a Semana da Arte Moderna.
João da Cruz e Sousa é considerado o maior autor simbolista, foi apelidado de Dante Negro e Cisne Negro, pois era filho dos negros alforriados Guilherme da Cruz, mestre-pedreiro, e Carolina Eva da Conceição, sendo que mesmo sendo a metade da população brasileira não-branca, poucos foram os escritores negros, mulatos ou indígenas. O poeta Cruz e Sousa não conseguiu escapar das acusações de indiferença pela causa abolicionista. A acusação, porém, não procede, pois, apesar de a poesia social não fazer parte do projeto poético do Simbolismo nem de seu projeto particular, o autor, em alguns poemas, retratou metaforicamente a condição do escravo.

Principais características:
- No plano temático: a morte, a transcendência espiritual, a integração cósmica, o mistério, o sagrado, o conflito entre matéria e espírito, a angústia e a sublimação sexual, a escravidão e uma verdadeira obsessão por brilhos e pela cor branca;
- No plano formal: as sinestesias, as imagens surpreendentes, a sonoridade das palavras, a predominância de substantivos e o emprego de maiúsculas, utilizadas com a finalidade de dar um valor absoluto a certos termos
Seus poemas são marcados pela musicalidade (uso constante de aliterações), pelo individualismo, pelo sensualismo, às vezes pelo desespero, às vezes pelo apaziguamento, além de uma obsessão pela cor branca.[1] É certo que encontram-se inúmeras referências à cor branca, assim como à transparência, à translucidez, à nebulosidade e aos brilhos, e a muitas outras cores, todas sempre presentes em seus versos. Percebe-se em suas obras influências do simbolismo europeu, como satanismo de Baudelaire ao espiritualismo.
Além de Cruz e Sousa, destacam-se no Simbolismo Alphonsus de Guimaraens e Pedro Kilkerry.
 Alphonsus Guimaraens

Alphonsus Guimaraens, pseudônimo de Afonso Henrique da Costa Guimarães (Ouro Preto, 24 de julho de 1870Mariana, 15 de julho de 1921) foi um escritor brasileiro. Sua poesia é marcadamente mística e envolvida com religiosidade católica. Seus sonetos apresentam uma estrutura clássica, e são profundamente religiosos e sensíveis na medida em que explora o sentido da morte, do amor impossível, da solidão e da inadequação ao mundo.
Contudo, o tom místico imprime em sua obra um sentimento de aceitação e resignação diante da própria vida, dos sofrimentos e dores. Outra característica marcante de sua obra é a utilização da espiritualidade em relação à figura feminina, que é considerada um anjo, ou um ser celestial. Alphonsus de Guimaraens é simultaneamente neo-romântico e simbolista.
Sua obra, predominantemente poética, consagrou-o como um dos principais autores simbolistas do Brasil. Em referência à cidade em que passou parte de sua vida, é também chamado de "o solitário de Mariana", a sua "torre de marfim do Simbolismo".
Sua poesia é quase toda voltada para o tema da Morte da Mulher amada. Embora preferisse o verso decassílabo, chegou a explorar outras métricas, particularmente a redondilha maior (terminado em sete sílabas métricas).
Principais obras:
- Setenário das dores de Nossa Senhora (1899)
- Dona Mística (1899)
- Kyriale (1902)
- Pastoral aos crentes do amor e da morte (1923), entre outros.

Pedro Kilkerry

 Pedro Kilkerry foi um poeta simbolista brasileiro, descendente de inglêses por parte do pai, o engenheiro John Kilkerry, superintendente da Bahia Gás Company Limited, e da mestiça alforriada baiana Salustiana do Sacramento Lima.Portador de tuberculose pulmonar, faleceu durante uma traqueotomia, sem ter publicado nenhum livro, apesar de ter contribuído para alguns periódicos como Nova Cruzada e Os Anais. Seus poemas foram recolhidos em 1970 por Augusto de Campos, que o considera um dos precursores de nossa modernidade. Também é chamado de “o Gregório de Matos” daquele período da vida baiana.
As principais características da poesia de Kilkery são: uma sintaxe bastante elaborada, fantasias humorísticas, musicalidade, ou seja, ele representou outro lado do simbolismo, aquele mais radical, suas poesias eram difíceis e dependiam de concentração para serem entendidas. As obras de Kilkery foram colocadas como críticas da vanguarda.

Referências